quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Com muito prazer



O mercado erótico no Brasil está crescendo e as mulheres tem participação neste segmento


Visual aconchegante e receptivo como de uma loja qualquer pensada principalmente para mulheres. Cada dia mais, os sex shops também conhecidos como boutiques eróticas, estão valorizando esse público que corresponde atualmente a 70% das compras do mercado.


A indústria erótica chegou ao Brasil há três décadas e movimenta hoje cerca de R$ 900 milhões por ano. “Fato relevante, até porque não se trata de um mercado regulamentado”, destaca Evaldo Shiroma, presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (ABEME). “Alguns produtos entram no Brasil como brinquedos”, complementa.



Para elas

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. .Uma das empresas a pensar no público feminino foi a boutique Mimo Sexy, que está há quatro anos na região de Alphaville, em Barueri – São Paulo. Renata Bertacini, sócia da loja, conta que hoje 90% de seus clientes são mulheres. Ela revela que antes de abrir o comércio com a irmã (Fernanda), foi visitar outros sex shops. Quando ela entrou, ficou impressionada, pela disposição mal organizada dos produtos e pelo atendimento de um homem que explicava o funcionamento dos mesmos de forma grosseira. A hoteleira percebeu um déficit no atendimento e decidiu apostar: “Vi que aquele era o ramo de negócio que queria, mas em um formato mais ‘leve’. O intuito era focar principalmente a classes A e B e o público feminino”, enfatiza Bertacini.


Mas não é só com produtos que as boutiques sexys tentam agradar as mulheres. Após uma pesquisa a ABEME chegou à conclusão de que os filmes eróticos não agradam muito a elas. Com isso, algumas lojas oferecem ‘cursos’ de Strip Tease, Poli Dance, entre outros, para chamar a atenção e fidelizar clientes.


Fernanda Groto, 27 anos, confessa que tinha curiosidade e vontade de ‘apimentar a relação’. Comprou um gel para o corpo com efeito gelado e dadinhos para brincadeiras com o parceiro. "Meu marido adora quando eu faço surpresa", diz Fernanda. Ela relata que sempre passa em uma loja para saber das novidades. E não precisa ser data especial para surpresa "O resultado sempre é bom", exclama.


Leopoldo Nochese, dono da Doc. Sex, em Pinheiros - São Paulo, discorda que a maioria dos consumidores fosse o público masculino: “Há muito tempo, as mulheres estão mais desinibidas. Entram em uma loja menos envergonhadas do que os homens”, afirma o lojista.

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Made in Brazil


O Brasil tem aumentado a fabricação de cosméticos e ‘brinquedos’ eróticos, chegando a representar 40% do estoque das lojas do ramo. A indústria nacional perde para norte-americana, chinesa e europeia, que inovam os produtos. Como no caso da boneca inflável com efeitos especiais, vinda de Hollywood. “As próteses melhoraram na qualidade do material e acabamento. Existem algumas bem parecidas com as importadas, que ainda são consideradas superiores”, defende Renata. Já Nochese concorda, mas garante 50% do estoque da loja com os produtos nacionais. Para os clientes, o fator qualidade também faz diferença: “Apesar de gostar de ir a diferentes lojas para saber o que é novidade, me preocupo com o compro, com a qualidade e se há riscos para a saúde”, explica Fernanda.


Visibilidade


A Erótika Fair, a feira erótica brasileira, é destacada como a maior da América Latina. Ocorre desde o ano passado, duas vezes por ano, com exposições das novidades do mercado nacional e internacional. Mas não é unanimidade entre os lojistas: “A Erótica fair é um erro, pois reúne fornecedores e lojistas no mesmo espaço. E os preços dos fornecedores são mais baixos do que os oferecidos pelos lojistas”, revela Nochese.

Para a ABEME, a feira é um ótimo negócio em questão de exposição, pois os fabricantes nacionais podem aparecer: “É uma chance a mais que temos para crescer”, considera Shiroma.

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Matéria de Kuka Di Andrino e Fernanda Souza

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