quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Crônica - Medo de quê?



Ao conversar com alguns amigos a respeito de medos, traumas e incômodos, vi que grande parte deles eram formados na infância. Vamos aos relatos:


Causo número 1:


Dias desses, uma amiga me contou que tinha medo do John Bon Jovi. Quando era mais nova, a irmã dela tinha no quarto uma imagem em tamanho real do cantor, e, por dividirem o mesmo espaço, ao apagar a luz, os olhos dele pareciam fitá-la enquanto todos dormiam. Como vingança, ela derrubava o cantor num golpe quase ninja, ou o levava pra bem longe: a cozinha. Sua irmã, ao acordar, via seu ídolo de cara no chão ou comicamente em frente a geladeira e irritadíssima, fazia a pobre além de sentir medo, também ter raiva daquela figura de papelão - de tanto que falava em defesa do homem dos seus sonhos.


Causo número 2:


Um outro amigo que também encrencava com pôsteres (aliás, o que há de errado com os pôsteres dos anos noventa?) disse que o problema dele era uma dupla nacional, que estourou sucessos com suas vozes agudas e seus cabelos tipicamente sertanejos*: Zezé Di Camargo e Luciano. Quando o garoto ia para a casa da tia, justamente na hora de dormir, os olhos dos rapazes colavam nele como o refrão de suas músicas melódicas... Mas o que ele fez pra se livrar do medo? Simples: deu fim rasgando em picadinhos o pôster da tia enquanto ela estava fora, e jurou que não sabia de nada assim que o intimou em tom de ameaça.


Causo número 3:


Outro amigo (nossa, quantos amigos problemáticos eu tenho!) queria ver o diabo, mas não queria ver o boneco Fofão. E pra piorar, também odiava palhaços.


Nesta altura do campeonato me pergunto: Por que há tantas pessoas com medo de artistas? Um cantor metido a hard rock com calças de onça; dois sertanejos de cabelos repicados e vozes finas; figuras infantis como um boneco ou um simples palhaço? Ah, se ainda fosse o medo do ‘palhaço da pirua’- que no final da década de oitenta muito se comentava que, próximo às escolas de primário, ele oferecia doces para as crianças e vapt! Enfiava a criancinha na Kombi e nunca mais se tinha notícia - daí sim, eu entenderia.


Eu nunca fui muito medrosa, mas tenho de confessar que fico inquieta quando vejo uma freira (sim, uma freira. Qual o problema?), baratas e panelas de pressão no fogo...


Mas, voltando ao lance de artistas, tenho três nomes, que você também há de convir que são figuras estranhas mesmo: Elza Soares (esticaada!), Calby Peixoto (???!!!) e por último, uma que em vida ou morte foi a mais estranha de todos os tempos: O rei do Pop, Michael Jackson. Aliás, este último dispensa comentários. Afinal, pretendo dormir bem hoje à noite.





*Entende-se como cabelos tipicamente sertanejos: cortes repicados em cima e longos em baixo.



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