Desespero de Eloá sob mira do ex-namorado
Fiquei pasma ao ler hoje, que a Secretaria da Segurança Pública publicou ontem norma que ordena aos policias civis e militares a manterem a Imprensa distante de ocorrências com reféns. Como no caso de Eloá Pimentel, 15, morta pelo ex-namorado
Terrível a postura de parte da imprensa com relação a cobertura do sequestro, exemplos das apresentadoras Sonia Abrão, Ana Maria Braga (também jornalistas) e Ana Hickman.
Podia ter dado certo as entrevistas com o sequestrador, ao vivo, para estimular o criminoso a desistir. Mas não deu. Pelo contrário, deu mais foco a ele e a menina foi morta. Será que as apresentadoras e emissoras queriam o mérito de ter feito Lindemberg Fernandes desistir?
Que know how estas mulheres têm como psicólogas ou assistentes sociais em lidar com situações de risco? Ou pior, em negociar a rendição de um criminoso ou a vida de um refém?
Este não é o papel da comunicação. Nem do jornalista. A imprensa pode sim estar presente. Pois só o 'estar presente' já reafirma o dever social (em noticiar o que é de interesse público), e talvez, reafirmar alguma garantia para o sequestrador em negociação com a polícia, feita ali, frente às câmeras. Dar o flagrante ou o furo de reportagem, conseguindo material exclusivo para ser exibido é sempre bem vindo aos jornalistas. Porém nesses casos, cabe à polícia resolver. Independete de ter sido bem ou mal sucedida. É à polícia a quem é conferida este poder.
Na sucessão de erros da própria polícia (em esperar mais de cem horas para dar um desfecho no caso), cabe agora se apoiar no repugnante papel da imprensa que fez da tragédia um espetáculo e piorou a segurança dos envolvidos.
Daí desconta-se em todos por conta dos oportunistas como o falecido programa 'Aqui, Agora' (que se metia em frequentes tiroteios, confusões e sequestros a fim de registá-los) que garantem o show de violência na TV e 'tentam ajudar a polícia na negociação' com os bandidos que ameaçam matar reféns. Todos tentam ser heróis.
Triste ver que o papel dos profissionais em comunicação devem ser delimitados com normas, afim de não interferir no que não é de sua alçada. Sonia Abrao retrucou dizendo que cumpria sua "função de jornalista".
Alguém aí pode esclarecer qual foi?
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